sábado, 31 de dezembro de 2011

O ano acaba..e com ele umas outras coisas também


Ao som de Wuthering Heights, do Angra

Saber que 2011 não foi um morango com Nutella, enriquece. Que os clichês se perpetuaram, mas, breves o suficiente para darem espaço às inovações e tantas outras coisas que por terra foram lançadas e tantas outras que alcançaram o púlpito. Pois bem. Bem cedo para antecipar um fim (amanhã) e, provavelmente,não tão bem tarde (hoje e todos os demais dias que já se foram) para por na balança. É isso aí. 

Em 2011, o que tinha de ser, foi. E foi feito - mal ou bem, foi feito. Desta "tessitura" de afazeres, de peças dedilhadas e de mais linhas contadas, construi novos objetivos para mim, no ano que pede licença para existir. E quem tem de fazer diferente sou eu. Assim, alguns temperamentos e manifestações acabam para que novas surjam. Mesmo sinônimas, relidas:

  1. Cumprir horários e prazos.  Sou péssima, Meu relógio só funciona em casos mais que especiais. Não sei se fui afetada por algum resquício de Alice (assim, em uma visão geral e simplória), só sei que isso me complica e muito. Certo que há simbologias e mais simbologias no que tange o "tempo". Mas de uma coisa há de se considerar: o sentimento dicotômico finitude/infinitude, que só ele proporciona, é motivante DUAS vezes. Tente. E tente mais uma vez - afinal, temos o infinito e temos, do outro lado da rua, nenhum segundo a mais.
  2. Silenciar. A arte da escuta é para poucos. E eu ainda não faço parte deste "mitiê".  Ainda não. Sempre fui de "hablar mucho, sí"....sinto-me meio descontrolada em alguns espaços; sem mensurações de quantidade - não de qualidade (não sou do tipo que apela à deseducação para proferir minhas ideias). ["por qué no te callas?]
  3.  Disciplina. Para sempre e para tanto.
  4. Anotar: as melhores ideias e as devidas soluções surgem do "além" para o "alguma coisa", findando em nós mesmos. É. É isso aí mesmo.
  5. "Academicismo". "Escreva, Vanessa, escreva". Sem complemento.
Não é uma lista de promessas para o novo ano. São apenas implicações e pertinências a serem reavaliadas. Espero que cumpridas, também. Minhas pretensões residem na tentativa de terminar com uma lista de coisinhas (no diminutivo mesmo, para ser irônica e enfática) impeditivas.

Vem. 2012 é nosso!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Nota


E realmente nunca teremos razão, mesmo. E por mais que digamos que devemos ser assassinos do/no breu, não teremos razão. Tudo vai depender da perspectiva, para que façamos um sentido para as coisas. Bendito também seja esses tais tiros nos escuros. São benéficos: pois não são capazes de entregar nossas identidades...nossas possíveis identidades. Maléficos: porque não há como saber se vamos acertar. Porém, certamente, não dividiremos sozinhos o espaço sem luz. Ahh, com certeza, não dividiremos. 


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"Nas cordilheiras da ilusão...."

"Fiquei aos poucos sem você...
Deixou marcado o seu sorriso
Que não me deixa te esquecer..." Me leva, Diogo Nogueira

Ele voltou para a gafieira justamente na tentativa de encontrá-la. Sentou-se e chamou pelo garçom. Pedira duas tulipas do tradicional chopp de samba. Pedira dois, porque, nos últimos três dias, assistira três filmes de homens que recordavam o passado na mesa de bar. TODOS eles pediam uma “dose”, “uma tulipa”, “uma bebida” para alguém invisível. Ele copiara. Depois de algum tempo...passou os olhos pelo salão...pelo camarote: ninguém importante. Ninguém sem atenção. Foi então que resolvera conversar com a taça de chopp que pedira.  E foi um desabafo daqueles, digno de olhares, não piedosos, mas de certo orgulho: havia ainda alguém que se entregara às ilusões. O garçom passou e reparou que a outra tulipa ainda permanecia cheia e esquentando. Ele parou e perguntou ao cliente se ele não gostaria de trocá-la. Ele apenas o entreolhou, com olhar seco, de quem não queria sugestões. O garçom, acostumado a presenciar as mais diversas cenas daquele lugar, pegou sua redonda bandeja e dirigiu-se ao fundo do bar. Por um segundo qualquer, alguém passa pelo homem solitário: exatamente com o mesmo perfume Dela; exatamente com o mesmo balançar de cabelos Dela. Ela parou e virou seu corpo para a mesa dele: ELA. Reparando que havia sobre a mesa um convite para sentar-se, assim o fez. Ele, não mais a entreolhá-la, mas olhá-la com todos as pupilas que Deus lhe dera. Sorriu. Sorriram. E foi assim toda a noite - como coisas de quem se amam. Até que, lá pelas tantas da madrugada, o garçom retorna: "Senhor, desculpe-nos, a casa vai fechar." "Tudo bem. Ela não veio mesmo.", disse.

"Tudo nasceu de brincadeira
Nas cordilheiras da ilusão..."


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"Não é 2012 que tem de ser diferente. É você."















[trilha] "You win it's your show now
So what's it gonna be?"
Good People, Jack Jonhson

Hoje, recebi o "tuite" que intitula este post. Engraçado como eu nunca tinha parado para pensar nisso: "quem tem que ser diferente é você". Mais estranho ainda foi o efeito "adaga" que esta frase me causou. E, realmente, quem tem que mudar alguma(s) coisa(s) aqui somos nós. O curioso é o reflexo que esta afirmativa ocasiona: somos seres dependentes [e que se dispõem para tal situação] ou da sorte, ou das lei divinas. Porque, se analisarmos com destreza, veremos o quão esperançosos somos nós para com as coisas que só deixarão de ser esperança se lutarmos para consegui-las. Bonito isso. Difícil esse negócio. A banda bem que poderia tocar de outra forma...mas...É isso mesmo: há uma mecanicidade em nossos pensamentos, que regem nossas articulações e, com a justiça Dele, nos impulsionam a encontrar as nossas mais ilustres "esperanças"  - quando estas não são alcançadas, são esperanças. Quando pelo contrário, conquistas. Isso posto: há quem deseje em 2012...2013...2024...2047 esperança. Outros, realizações.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

- Com licença, sim?


Há uma coisa que nos é oferecida na vida chamada LIBERDADE. Uma outra coisa dentro da gente chamada espírito de LIBERTAÇÃO e outra coisa que é fruto de nossas ações: LIBERTAR. A esta última abre-se uma ressalva importante: trata-se de uma via-expressa-de-mão-dupla. Vejamos: libertemos a nós e libertemos ao próximo. Porém, como dito nas preliminares, ação é escolha, e LIBERTAR (SE) também é uma escolha. Mas "Espera aí porque as coisas não são assim tão fáceis como você está sugerindo, fofinha!!". Realmente, não são e também não são para ser. Mas DEVEM acontecer, SIM! Sinto em lhe informar que as coisas dependem de você...Você só sente o vento porque você escolheu sair de casa "despido" o suficiente para que a ventania chegasse até você. Você só teve uma dor de cabeça, oriunda de uma ressaca, porque resolveu misturar aquele Red Label com a Caipiroska da parte dois da noitada. Você só se deixou envolver porque quis conhecer novos abraços, novos beijos, novos cheiros e demais pertinências que só o tato a tato (ou quase isso) podem proporcionar. Quando você não quer....não há Ben Affleck ou Scarlett Johansson que faça você se apaixonar.Se não for de seu interesse apurar seu sentido para uma obra de Allen, você não o verá com outros olhos. Sei, isso tudo que falo são as lógicas existentes na vida. Bingo! Certo! Mas isso tudo aí só aconteceria caso você quisesse. Lembra quando você, por exemplo, era criança e nem sabia [provavelmente] da existência de Caymmi, mas, quando crescera PERMITIU-SE conhecê-lo - não só ele, mas como também seus rebentos? Pois é. PERMITIR- SE é exatamente isso: escolher. Você optou por ouvir um novo estilo musical que não fosse o "Pluft Plaft Zoom"....e preferiu o "Marina, morena, Marina você se pintou...". Consegue me compreender?? Você poderia continuar nos anos 80, mas com a carne nos 'anos XXI', porém, você NÃO QUIS! [digressão closed]

Assim mesmo, retomando o láaaaaa em cima que eu havia escrito, do mesmo modo que podemos nos libertar: das dores, principalmente; da saudade, da paixão/amor/relacionamento indefinido; também podemos libertar aqueles [e daqueles] que nos rodeiam, e que nos fazem (mesmo secretamente) ter vontade de sair por aí, meio que como Ícaro - pode até sair assim, sem sonho. Mas ao passo que a coragem vem, não importa como iremos. Desta maneira, não caberá a mim ou à torcida do Flamengo salvá-la (o) de qualquer tipo de prisão. Você sim é que tem de pedir licença às pessoas para que estas lhe deem passagem. Quem domina o copo do botequim não é o garçom. É quem bebe. Sempre pedindo com  educação, pois há tantos outros clientes a serem atendidos. Mas, quem está na mesa, com o copo na mão, pensando ou não na vida, é você.

As coisas só acontecem se você quiser:

"Oi, estava a admirar você de longe. Achei você interessante. Posso sentar com você?"
" Com licença, sim?"

domingo, 18 de dezembro de 2011

Para continuar falando de VIDA

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"Eu estive pensando em você, meu amor
E todas as coisas loucas que você me fez passar.
Agora eu estou voltando,
devolvendo-as a você." Adrienne, The Calling                       .
                                                                                                 .
                                                   .                                             " e isso, eu vi,
o vento leva!"
O Vento, Los Hermanos

E eu finalizo mais um ano de peito aberto. De alma pronta, mais uma vez..e, acima de tudo, de baterias recarregadas para mais uma vida. A gente aprende a viver aos pouquinhos, aos trancos e barrancos; em meio a sucessos, conquistas, abraços e beijos...música, carinho e amor. Mas, independentemente do plano de fundo, do palco, da trilha sonora e das páginas escritas [e outras por fazer], a gente aprende - sejam lá quantas vezes isso seja necessário. E quanto se vive, mais se percebe que a vida é feita de um "um" multiplicativo: VOCÊ. E que a única pessoa que pode fazer algo por você...é essa mesma que segura a tua alma neste corpo. E que amar o próximo só "rola" quando você tem carinho consigo mesmo...sem lembrar Narciso....sem ter psicanálise. [Look at the stars,....Look how they shine for you...]. Temos que entender que a vida vai continuar, estando nós bem ou não. Contudo, ela não vai te esperar.
"Apesar de nós vermos o mundo
por diferentes olhos
nós compartilhamos a mesma ideia
de paraíso
Então não procure nas estrelas
por sinais de amor
Olhe ao redor de sua vida
você encontrará o suficiente"  
Se a vida é, Pet Shop Boys


"Primavera soprando pr'um caminho mais feliz
Mais feliz, mais feliz,..." Primavera, Los Hermanos


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Quando a questão do amor próprio entrou realmente na minha vida

Post dedicado à Priscilla Robertha,
pela mensagem mais cafeínada que recebi em toda a minha vida.

"And so lying underneath those stormy skies (...)
I know the sun must set to rise"
Paradise, Coldplay

Hoje, posso dizer com toda a certeza que a definição de amor próprio realmente entrou na minha vida. Compartlhando, logo pela manhã, com uma amiga meu atual estado amoroso [leia-se: incompleto/decepcionado/triste mesmo] recebi esta mensagem que acertara-me em cheio - melhor do que todas as flechas tortas que Eros lançara em minha direção (ou ao menos tentou lançar):



" Amiga, se ele não tem amor próprio, imagina se ele iria te amar? (...)"

Por mais incrível que pareça, foi depois dessa mensagem que eu tornei palpável e talvez até mesmo mensurável a questão do amor próprio. Sempre procurei cuidar de mim, ter cuidado comigo mesma, mas visualizar em claras e brancas nuvens o AMOR e o PRÓPRIO, foi a primeira vez.  Não que eu pensasse que amor próprio fosse outra coisa, mas eu só tinha visto a sombra dele, não ELE. Sabe aquela imagem de um cristal transformando-se em mil pedacinhos depois de uma queda? Muito bem. Esse foi o efeito que a definição que ali brotara me causou. Ficou claro que nem todo muito nessa vida está pronto não porque não há oportunidades, mas simplesmente pela razão de não querer, de achar que romance/paixão/amor não merecem espaço na vida, apenas parênteses - e parênteses sempre fecham uma ideia.

[falta um encontro (particular). antes de qualquer coisa]

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Depois de uma série de coisas que você [em silêncio] me fez acreditar...

... eu vou continuar acreditando. Vou mesmo, sabe? Mesmo sabendo que (provavelmente) tenho feito, quem sabe, escolhas inadequadas. Vou continuar acreditando que um diálogo sempre valerá mais do que aquele beijo depois de uma discussão aparentemente fútil; de que compartilhar momentos é bem melhor do que optar em fazer sozinho, quando há quem te acompanhe; que me valerá sempre os gestos que os discursos; que uma história meia-boca jamais virará livro; que a arte da superação é do ser humano. Que maratonas a dois valem (in) explicavelmente mais do que qualquer outra tentativa. [fecha repetições]

 
E que repetir as coisas nunca será demais:
(re)começar,
(re)ordenar
(re) vigorar
(re) afirmar
...

(re) viver.
.
 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

As pessoas pedem para irmos embora - e nem se dão conta disso

Sabe, as pessoas pedem para irmos embora muitas vezes por meio de mensagens subliminares. Não sei se a todo o tempo é intencional, mas, acredito que seja inconscientemente mesmo. Suponho eu que é o mesmo fator de sempre: falta de espelho. Não aquela coisa de "Quem você pensa que é?", mas sim, " Quem [realmente] você é?". E se você for dotado de uma filosofia considerada medíocre, de puro empirismo, pode contar, a mensagem está carregada de intencionalidade. Mas o que elas não sabem é que espelhos também podem estender um reflexo - disponha de vários ao mesmo tempo e verás o resultado. Eu tenho mil e uma razões para estar errada, e não deixa de ser verdade. Mas quando eu me proponho a me ver no espelho, considerar que, atrás de mim não há uma sombra e sim uma pessoa, sinto o meu dever de trocar o lugar com esta, para que ela possa se perguntar: "Quem [realmente] eu sou?". Mas, mesmo assim, as pessoas partem, e "partem" você na mesma intensidade. E você vai buscar a culpa no passado ou até mesmo em um futuro que passeou pelo presente. E você vai tentando explicar, tenta ser justa, mas as pessoas continuam a seguir sem você. Não que você esteja envolto a sua prepotência, não. Mas é aquele sentimento de partilha mesmo, sabe? Aquela luta para ser alguém melhor a cada dia, sob júdice de um outrem. Mas a pessoa continua te pedindo para ir embora - apesar de não sentir. E você entende o sinal de fogo e vai.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E se for a hora de dizer 'adeus'?


Ao som de Only with you [Alicia Keys feat. Keyshia Cole]

Ela se pegou pensando porque tudo não poderia ser diferente. Ela não sorriu. Sentiu uma vontade de exteriorizar aquilo que realmente a pertubava...era um detalhe bem pequenininho, porém, com uma força de tufão. Ela exagerou. Talvez. Mesmo assim ficara triste com o egoísmo e a insegurança dele - e ela que pensava que, por aparentar ser diferente das demais, suas chances seriam aumentadas. Contudo, a situação não compartilhava dos mesmos anseios. E doía-lhe a própria ilusão...Ela sempre buscou ser racional, continuava sendo...mas, onde será que ele havia colocado a sua respectiva? O desconcerto infiltrava-lhe as escolhas: ela não queria ceder porque, para ambos, ceder seria o princípio de caos. Mas ele preferia seguir sozinho, só por orgulho. E ela já estava cansando....pouquinho a pouquinho...às vezes queria chegar mais perto, mas o receio de ver a repetição só sugeria: "Saia". Se toda a tirinha que eles tinham vivido até agora fosse uma mesa de pôquer, ela já havia jogado todas as fichas. Todas de uma só vez. Não por erro, mas só pela mais lúcida vontade de acertar. Ela nunca fora de brincadeiras românticas - até pela razão notória de sua idade mental não compactuar com o alojamento de seu espírito. E pela primeira vez, quando resolvera caminhar um tanto mais além...(silêncio). Em um pedaço de papel ela escreveu e destinou a ele:

"Permita-se ficar.
Antes que eu não mais queira permanecer.
Não me deixa ir."
 .

O tempo que se dá para as coisas....


... não é o mesmo que se aguarda.

Provavelmente o tempo que levaremos para nos acertar será incompatível para com a fração de segundos que gastamos para nos encontrar, trocar meia dúzia de olhares e uma sequência infindável de beijos. Não tem problema. A gente vai se guiando por algumas filosofias históricas [não há ponto de concordância entre a pressa e a perfeição]. 

Provavelmente a razão de todo o nosso desentendimento seja, simplesmente, pela razão de queremos nos agregar ao outro; padecer em nossos julgamentos; investigar sobre a razão e desmentir o que se tem registrado em uma espécie de Index Amore elaborado no século XXI - sem tradução livre.

Provavelmente "desapontado (a)" se fará presente em nossa peregrinação. E não sei se teremos água em determinados pontos da caminhada; não sei se teremos cobertores, mapas, alimento. Mas, certamente, teremos 

abrigo.




segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Das coisas que ela não faz ideia

Eu não sei até onde podem ir certas coisas da vida. Dentre elas, destaco a nossa possibilidade de provocar vicissitudes em nosso ego. Eu não condeno, só aconselho para que fiquemos alerta quanto a isso, porque ela, ela mesma não se atentara para o que estava acontecendo bem atrás das cortinas. Eu vi, mas, infelizmente não pude acender as luzes.

E ela me disse que queria entregar-se à própria libido - e, consequentemente, à própria sorte. E vi que seu olhar era feito de prata. Ela ia e  jogava-se por inteiro, sem medo de perder. Sempre julgou apenas que ganharia. Perder não estava no seu dicionário. E ela permitiu-se uma entrega desenfreada, por luxo, por luxúria, por desdén e por meras contribuições ao seu currículo fantasma. E o seu palco tinha sensualidade, vermelho, palavras calculadas, charme, malícia e medo. Medo de não ser alguém aos demais olhos. Medo de não ser alguém para qualquer outra pessoa. Medo. E ela não soube, mas histórias a rondavam; a desmentiam e interferiam no curso normal das coisas. Houve tantas discórdias que alegou-se falta de atração. Realmente houvera falta de atração, mas, acima de tudo, o não contato dela com seu próprio amor. [E onde foi parar sua consciência?] Ela "apaixocou-se" pelo efêmero. D-e-u-s-a. Era assim que se sentia. S-ó. Tenho certeza, era ssim que se sentia também. Muitos fazios a preenchiam. Faltou de sua parte um olhar pela janela para ver quem estava lá fora; quem poderia chegar. Minha bela pequenina precisaria "revirevoltear-se".[Muitos de fora te espreitavam, e você não viu.]

E se alguém, menina, agora te acertar o coração?


domingo, 20 de novembro de 2011

Não são nossas obrigações. São nossas escolhas

"In the confusion, and the aftermath
You are my signal fire
The only resolution and the only joy
Is the faint spark of forgiveness in your eyes" Snow Patrol
 
Teremos problemas, sim. Não teremos razão. Não mediremos palavras. Não plantaremos algo para colher. Mas, em uma hora contínua, teremos bem mais amor e bem mais encaixe do que todas as negativas que persistirão em aparecer. E, certamente, optaremos em atravessar a rua, os obstáculos, a estrada e o solar da montanha lado a lado. E vai ser incrível, vai ser incrível. Vai ser incrível do começo ao fim: ou por não esperarmos ou por querermos esperar que tudo se repita, só para termos aquela finalização mais clichê: juntos novamente. [Mas todos os clichês são verdadeiros]. Renda-se. De certo, muita coisa não virá de nós; virá para nós. E um nós é feito de um plural bem mais singular do que as múltiplas solidões de uma só noite. Múltiplas solidões: algo que não mais teremos, até que floresça de nós o espírito do querer completar. E eu sei, você relutará em relação a minha presença. E você sabe, eu vou ficar.

domingo, 6 de novembro de 2011

"Alice, não se esqueça do nosso amor"

"Será que eu tenho sempre que te lembrar."

Alice, eu sempre tive medo daquilo que você escrevia. Daquilo que você fazia questão de escrever, de rabiscar, justamente para que não se perdesse em sua memória. Mas Alice, quanto ao nosso amor, você nunca fez questão de elaborar muito menos uma notinha de rodapé. Eu não sei, não sei mesmo, o que é que passa por esta sua cabeça, Alice. Meu bem, nada sei de nosso amor porque você não me fala e, também, nada escreve nesse seu diário esquisito. Alice, o que há de errado com o nosso amor, que ele não merece uma página do seu caderno? Sabe, eu sei que você nao escreve nada sobre ele aí porque você jamais me contou o que  escreve (quando diz respeito a ele)...assim como fez com os demais. "Líli", o que há de novo entre mim, você e essas páginas aí? Alice, Alice, Alice....vai, não se esqueça do nosso amor, não....

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Anotações para um apreço futuro - Nota 2: Convenções


De fato, fazemos de nossa vida aquilo que bem queremos; que bem achamos conveniente. Mas com a vida alheia, não. Esta não. Principalmente quando o propósito é seguir uma convenção ou deixar-se seduzir pela mesma. O mal das conveções é bem menos percebido por alguns 'tipos' do que deveria ser. Tais executantes não conseguem se ater ao próprio espelho, o que dificulta muito o desenrolar de histórias. Mas, por que caminhar sempre com a ditadura do convencional venenoso, depreciativo e vazio. Para quê?

Ela negara-lhe o pensamento bonito de um casal. Parece que desta vez o filme se repetia, como aconteceu em um passado ainda recente. E mais, por um momento ela imaginou tomar a mesma decisão da primeira vez. Detalhe: situações distintas, pessoas diferentes, mas, infelizmente, razões idênticas. Passado o tapa, ela ponderou. Mas, seguramente permaneceu como no passado: se ela fugiu de uma convenção uma vez, conseguiria fugir de outra. E foi.

Nota 2: Convenção é para todos. Analisemos quanto a um ente particular.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

De fato...





E a gente pensa tão bonito, mesmo com medo de ser feliz.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Os sapatos que, a um amigo, eu dei

Amor,

somos imediatistas, mas DEUS é atemporal. E a gente sempre vai achar que não somos vistos, que não há nenhum chinelo para o nosso pé. Muitas vezes sofremos a ilusão de comprar um calçado ou maior que o nosso pé ou menor. Esta última possibilidade é até mais recorrente, sabe porquê??? A gente acaba se alimentando tão bem, crescendo tão forte que não percebemos o quão grandes nos tornamos, ao ponto de o calçado que compramos não caber mais no nosso pé. E é assim que a vida caminha. Se o relacionamento não deu certo é porque você, de tão grande, não coube nele. A fôrma que tu querias ainda é muito frágil para te sustentar...ou, se você não coube devidamente na outra fôrma, com sobras a serem preenchidas, é porque você  não merece sofrer o aperto. 

Quero que você saiba que trabalhar o tempo é importante. Pessoas nos esperam , para que sejamos seres compleXos - mesmo que seja apenas por um dia, mas ESSE dia valerá pela vida inteira....sabe aquela máxima: "o que não importa não é a duração, é a intensidade"...Pois é.

Enquanto isso, você pode ir preparando o 'terreno', sim (!): amando-se. cuidando-se. alimentando-se. E buscando a felicidade em ti mesmo. Você só vai conseguir ser feliz :
1: com vocÊ
2: para você

Eu te amo e sempre, sempre, estarei aquii. 

Vanessa


Cada um com sua sentença particular

Eu não me canso de falar de escolhas' e de 'mudanças' - principalmente quando a periferia não se dá conta de que você já se deu conta das realidades que não fazem parte de sua natureza; que realmente não te atraem mais, na verdade nunca atraíram ou que, quem sabe, no futuro retornem. Mas o fato é que, agora, no seu olhar aprendiz-de-perspicaz já brilham outras coisas, e que as virtudes tendem a se revelar bem mais íntimas que os vícios. Para cada transeunte fica a dica que lhe cabe; a roupa que lhe veste e a comida que lhe sustenta. E se a gente abandona o casulo é porque ele já não nos cabe, apertou....encolheu.
 
muito bem se deveria saber:
é com o medo do desconhecido que a gente aparece
porque todo mundo sabe da sentença que lhe cabe


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Anotações para um apreço futuro - Nota 1: O tempo



"Just give me one more chance to make it right"

Trarei Bauman mais uma vez para falar de todos nós: que anseamos por um futuro feliz - a dois, três, quatro....Mas que seja um futuro feliz e, se vier a ser um passado, que lhe caiba "um passado bom" como predicativo. Perguntou-se a Bauman a respeito das relações amorosas do sujeito pós-moderno, na verdade, o que tem mudado nelas. Ele, categoricamente, respondeu: 

" [...] Todos os recursos pagos para evitar os ricos com que a nossa sociedade de consumo nos acostumou estão ausentes no amor. Mas, seduzidos pelas promessas dos comerciantes, perdemos as habilidades necessárias para enfrentar e vencer riscos por nós mesmos. E assim tendemos a reduzir os relacionamentos amorosos ao modo 'consumista', o único com que nos sentimos seguros e à vontade."

Esclarecendo, Bauman diz:

" O 'mundo consumista' requer que a satisfação precise ser, deva ser, seja de qualquer forma instantânea, enquanto o valor exclusivo, a única 'utilidade', dos objetos é a sua capacidade de proporcionar satisfação."

Agora, realizemos as afirmações:

 1. "Mas, seduzidos pelas promessas dos comerciantes, perdemos as habilidades necessárias para enfrentar e vencer riscos por nós mesmos."
2. "O 'mundo consumista' requer que a satisfação precise ser, deva ser, seja de qualquer forma instantânea"

Vejamos. Caros leitores, não há muito segredo para responder a razão e o porquê das relações amorosas hoje se esvairem: imediatismo. Temos transformado o amor em mais um objeto de consumo; se não o transformamos, estamos adicionando 'capitais' no próprio. Como assim? Ex.: Eu quero comprar um determinado objeto, mas, para satisfazer a minha vontade, vou o mais depressa possível na loja adquirí-lo. Depois de alguns dias, passado a minha satisfação, já o entoco em alguma parte do meu armário e o esqueço. Você lembra, né: para satisfazer a minha vontade. Sa-tis-fa-zer. E vontade é uma coisa que pode ser uma necessidade fisiológica e até mesmo um anseio mais concreto, longo, mas que implica - principalmente no inconsciente -  em uma solução rápida, instântanea.

Nota 1: amar e ser amado não tem nada de instântaneo. Muito menos deve ser confundido com algo que satisfaça, ou seja, uma coisa pronta e acabada. O amor está na transformação destas coisas....na atemporalidade, na maturação das horas e dos feitos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"Boa Sorte". Disse a mim mesma


















 

Bauman, sociólogo europeu -  e um dos meninos dos meus olhos - , afirma que  você só tende a perceber as coisas e colocá-las no foco de seu olhar precustador e de sua contemplação quando elas se desvanecem, fracassam, começam a se comportar estranhamente ou decepcionam de alguma forma. Assim considerado, nestes últimos tempos tenho incluído (volta-e-inteira) itens novos na lista de coisas-para-fazerem-parte-de-um-pas-sa-do-bom. É uma necessidade particular, sabe? Um cansaço remoto que me assolou de tal maneira que, superficialidade é um elemento a ser desconsiderado nessa nova etapa - não que agora eu tenha me transformado na "A" garota. Não. Espera. Ainda vai ter muito show infantil pela frente. Mas, a grande diferença é que, agora, eu sei quem é que manda aqui. Ser igual ao "vago", ao "despreenchido", me incomoda. As palavras certas (e, meu atual clichê) são "isso não me sustenta mais". O princípio é o conteúdo. O desenvolvimento é o conteúdo e a conclusão também é o conteúdo. E isso é ter, buscar, almejar, construir, desconstruir, reformular, reerguer VOCÊ - ou o ensaio no espelho.

"Acho que não vai dar tô cansado demais
Vou ver a vida a pé..."
pé-ante-pé.
eu e  minhas  sandálias
cansadas de tanto porvir...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O número 3

Ganhei mais um selinho da fofíssima Vanessa L. =)

Regras:

1- Colocar o link do blog que te ofereceu o Selinho:
http://somdospassos.blogspot.com/

2- Oferecer o selinho para 5 blogueiras:
http://verdademalcontada.blogspot.com/
http://prisroband.blogspot.com/
http://oitoenove.blogspot.com/
http://flores-na-cabeca.blogspot.com/
http://dani-ricardo.blogspot.com/

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Princípio de queda. Acho que é isso

Ao som, inesperadamente, de Madeline 
[Hanson]

"Madeline
Here we go around again..."
 
 
 
 
Para quem me serviu de divisor de águas, jamais entenderás as razões de tanto meu coração ter sido repetitivo por você. E das mais dolorosas frases, me sobraram a saúde de poder estar presente cada dia mais em minha própria vida, em meu singelo pseudônimo e mais algumas sobras daquilo que dividi com você. Talvez, por mais que eu tente, rasgar a página....cada página, exigirá tanto de mim quanto pensei que poderia um dia vir a ser. A razão se segue porque sempre quis que as pessoas pensassem (às vezes) por mim; adivinhassem a ordenação de meus anseios. Mas, quem diria...vo-cê. Ensinou-me que a melhor pessoa para fazer isso sou eu mesma. Escreveste em letras claras aquilo que muitas mulheres gostariam de ouvir, de ler, de tatuar, de pensar, repensar: "A dona de você é você mesma. Vê se te cuida." E tal qual para saciar meu gosto, me servira. Me sevira muito esse trecho de arrumação. Pegando anotações acerca da intertextualidade, levei nosso parágrafo para várias análises. Resultado: comprovei que há de existir paciência da porta da rua para quem te ama; maturidade para sair e chegar até onde quem te quer; amor próprio para suprir necessidades particulares, secretas e íntimas; verdade absoluta ao dirigir-se (para qualquer rumo); segurança para retirar-se (para o outro lado do rumo que se escolheu); dignidade par ser lúcido o suficiente e segurar a mão que te afaga. Força para escolher o caminho de partida; inteligência para ser contudente e racionalidade para ter, no mínimo, um pouco de discrição. É. Aprendi tudo isso com você. Eu juro, eu anotei uma porção de coisinhas legais. Inclusive, das maneiras e das formas para não fazer da minha alma, uma equilibrista. Nem do meu coração, um vagabundo.

Bem sei, acho que é isso.
Não foi só no jardim de Newton que a maçã caiu.

sábado, 17 de setembro de 2011

Levar-me

Há uma coisa chamada entrega. Ou você vai, ou você deixa de ir. Não há meio termo, metade de uma fatia, um pedaço daquilo outro e demais medições que, em sua vida, podem ser medidas por dois e partidas pela metade. E entrega não é a mesma coisa que caridade, ou até mesmo, solidariedade. Entregar-se é pedir uma mãozinha para ir acolá. É quando você vai lá e não diz adeus. Não diz que vai voltar mais tarde e que, telefonemas, e-mails e demais mecanismos de comunicação são suscetíveis à falhas e falhar no momento de ida pode atrapalhar todo um processo de volta.  

"Quando eu olhar pro lado....Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa."
Sabe-se lá a razão de termos certas quedas (bruscas) para o medo. O desvio, até quem sabe seja a palavra mais adequada. É a máxima. [tangente] E entregar-se não é uma conclusiva matemática. O ato de "deixar aos cuidados de alguém" ou " passar às posses de alguém" não significa extermina-se para tantos outros. E entregar-se conserva o que há de tantos sagrados por aí. E doar-se é como uma fotografia: é um momento grifado, registrado e eternizado em algum espaço de tempo - tempo este que não há complicâncias para voltar, pela simples razão do 'voltar' não existir. Ou há entrega, ou nada foi levado: tudo ficou em seu (in) devido lugar.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Se um dia alguém te perguntar...

...diga que houve programação para um breve futuro. Diga que nada foi esquecido e tudo se uniu como foi imaginado. Que nenhum de nós dois tomamos partido; que também não fomos obrigados; e que, acima de qualquer dúvida, aceitamos sem cessar. Que fique claro que o que queremos só depende de nossa vontade. Ressalve a respeito de nossos sonhos planejados: som, sol, dança, vento e sentidos. Películas intransparentes. Diga que compraste perfume. Flores. Bilhetes de amor. E balas baratas a serem grifadas na memória. Que ambos esperaram. Leram metáforas, livros e fadigas amorosas. Perabulamos por becos - não esqueça de contar isso. Fale das palavras, das palavras e, outra vez, daqueles espaços vivos e vibrantes que saem de nós. Conte sobre nós; sobre o nosso teto. Sobre mim, sobre você. Sobre o você a partir de mim e sobre mim elaborado por você. Relate nossa última lista do supermarket: ela é tao sugestiva quanto um haikai

de amor.



Aquilo que por muito pouco esforço me custará

Vida.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O primeiro

Gente, O Paro e Me Pergunto ganhou o seu primeiro selinho:

 
O presente foi dado pela Vanessa Lima, do http://somdospassos.blogspot.com/

Vanessinha, muito obrigada, mesmo!

E as regras são:
1. Exibir a imagem do selinho em seu blog.
2. Postar o link do blog que indicou
3. Publicar as regras
4. Indicar blogs para receberem o selinho
5. Avisar os indicados

E OS BLOGS INDICADOS SÃO:

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Foi algo assim.....para falar deles dois (parte 3)

Parte 1
Parte 2

Fred abrira os olhos agora com mais coragem. Ele precisava saber o que estava acontecendo, onde estava e o que Marina fazia lá. Mesmo tonto, ele sentia-se estranho de duas maneiras: a primeira era por conta das dores: pés, cabeça, tórax e as pernas lhe doíam muito; a segunda era por conta de uma sensação estranha e, ao mesmo tempo, confortável que sentia por saber que havia alguém ao lado de sua cama, tomando-o pelas mãos. Mas, logo ela?
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A turma de Fred e Marina organizou uma festa para comemorar o aniversário de um dos amigos. Festa vai, festa vem, lá pelas tantas da madrugada, Frederico já não se continha sobre as pernas. Muito álcool. Com um olhar apertado, Marina o observava ao longe, como quem quisesse chegar mais próximo e levá-lo para casa. Festa acabando, coincidentemente os dois saíram ao mesmo momento. Marina foi em direção ao seu carro e, Fred, totalmente impossibilitado de dirigir, segiu rumo ao seu, sem companhia alguma ou, até mesmo um " anjo" que lhe fizesse o favor de dirigir seu carro na volta para casa. Ele saíra cantando pneus; e Marina fora logo atrás - o caminho de ambos seria o mesmo até um certo ponto. Ou será que não? 
Marina percorria o caminho de volta com uns 70km por hora. Frederico corria tanto que não estava no perímetro dos olhos dela. Contudo, mais adiante uma surpresa: um acidente. Um carro completamente destruído, sem socorro, em uma parte completamente abandonada na estrada. O motorista, mesmo preso entre as ferragens, ainda tinha forças para gritar. Marina parou o carro e começou a chorar: a pessoa que estava ali era alguém que ela jamais gostaria de ver em meio a dor. 
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- O que você está fazendo aqui? Aiiii.....Que aconteceu?
- Eiii, não faça muito esforço. [lágrimas] Você está no hospital...ontem você sofreu um acidente e, por pouco, não morreu. Você passou por uma cirurgia de emergência mas já está tudo bem...
- Ai...dói tudo....Mas, acidente? Como assim? Eu não consigo lembrar de nada....
- É, eu imaginei que você não lembraria. Você estava sob o efeito do álcool e bateu o carro. Ele não existe mais. Por Deus você não morreu. 
- Eeeu...eu...machuquei alguém.....?
- Não...não! Não havia ninguém no local.
- E como você me encontrou?
- Saímos ao mesmo tempo...Eu vinha logo atrás. Consegui te socorrer a tempo.
- Acho que será a primeira vez na vida que te agradecerei por algo. Muito obrigado.
- Não se preocupe....temos muito o que convesar depois.
- 'Conversar depois'? Você 'já' vai?
- Não. Não deixaria você sozinho aqui...
- Posso te pedir uma coisa?
- Claro!
- Deixa eu segurar a tua mão de novo?


Ela estendera a mão. Ele sorriu e dormiu em seguida.

domingo, 4 de setembro de 2011

Aquele pedido que só você me fez


" - Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
"
(Alice no País das Maravilhas)

Você pediu para que eu virasse a página. Pediu que eu recolhesse alguns cacarecos que eu sempre esquecia em algum espaço seu. Pediu-me que escolhesse entre o mais apropriado, o mais adequado e a próxima sugestão. Confesso que, apesar de ter um  relacionamento íntimo e meio que diferenciado com as palavras, demorei a entender tal mensagem. Apenas demorei. Pegar uma sacolinha para guardar meus tais cacarecos; deixar o frasco de perfume cair no chão e espatifar-se por inteiro e, ali mesmo, deixar aquele cheiro para trás; rasgar as fotos da memória e, doá-las a alguma instituição para corações sorrateiros; além dos filmes de uma love song que só tocou em uma caixa de som. Nada fácil. Nada abandonado por inteiro. Mesmo assim, aquele pedido que você me fez -  e que eu aceitei -, ainda está de pé. Talvez o que eu precise realmente é de uma temporada de "Eat, Pray, Love"...apenas "Eat, Pray, Love". Contudo, o pedido que me fizeste foi tão especial, tão bom, tão..tão...que não tenho palavras concretas para agradecer-te. Aquele pedido que só você me fez não se restringe apenas a (re)começar, mas solicita que eu própria me solicite. Que eu me conheça, que eu me dedique; que, por meio segundo eu possa me entregar às ordens de Narciso e tudo mais. Que eu me torne minhas próprias lembranças. Que eu seja metalinguística. Aquele pedido que só você me fez me ensinou que dois podem parecer dois e na verdade, serem nenhum e nem outro. Mostrou-me que se um quiser, dois podem ser um  e que você pode ser muitos sendo um também. Mas, acima de qualquer razão, que EU deva ser apenas uma - sendo uma, estando em dupla ou pensando em ser três. O teu pedido fez com que eu resgatasse meu Jonhson Baby esquecido no armário, alguns contatos no meu telefone, novas referências bibliográficas para a psicologia moderna, um perfume novo, mais um livro denso e tempo, muito tempo para não transformar o vazio em você. Aquele pedido que só você me fez, sem emitir uma só palavra, um só rabisco, é o guia que vou levando agora, entre minhas mãos...atenta para não perdê-lo. E eu te agradeço: SEMPRE. Você, sem querer, pediu-me para ter luz própria; para expandir horizontes e para entender sobre vinhos. Lembrou-me para que não me entregasse à generalização do mundo, a sofisticação e ao cultismo de outras cem mil léguas, sem antes avaliar os lados e as moedas. Você nem considera o significado do sete, mas tudo bem. O pedido que só você me fez incluía, inclusive, aprender a escrever (e assinar) as laudas dos começos, dos meios e dos fins.


"E todos os dias ficarei tão alegre que incomodarei os outros." 
(Clarice Lispector)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

"Que prazer mais egoísta...."

"Os meus amigos todos
Será que eles não entendem
Que quem ama nesta vida
Às vezes ama sem querer..."